por Marcia David Poeta

16.6.14

Multicolorida














Tome nota de uma coisa.
Não criei as regras.
Não inventei um passado. Ninguém nasce desse jeito.

Escute bem, pois só vai ouvir uma vez.
O que me agride é o que te mata.
O que me ofende é o que te fere.

Eu renasço sempre que escolho.
Sempre que quero.
E quero hoje vida.
Arejada, multicor.

Sem silêncios indecisos.
Sem escolhas mal feitas.
Sem dúvidas, sem culpa.

A vida é minha orelha,
meu nariz.

11.6.14

Covardia







É a flor que não brota.
O sol por trás das nuvens.
Um rio sem veias, sem destino.

Covardia.
Um caminho sem volta.
Um dedilhar sem cordas.
Um tocar sem arrepios.

Covardia.
Mania de quem chora.

Lamenta e se esconde.
É o passar lá longe.
Sem olhar para o lado.
Sem respirar o perfume.

Covarde é alguém que não se deu.
Achando que se dar seria em vão.

Covardia é um coração que não bate.
Rebeldia que teima em não se deixar doer.
Não se permite cortar a pele.

Rasgar, gritar, adormecer.

E um covarde nunca lambe a própria ferida.
Nunca cultiva um jardim.
Não vê borboletas.
Não caça joaninhas.

Conta, medida, régua.
Estanque. Economiza até quando beija.

É frio, carcomido, doente.
Não te alisa, não te abraça.

Perde o melhor do dia.

A poesia de perder.
Recomeçar.
Ser outro, remoçado e louco.