por Marcia David Poeta

2.9.14

Miserável?

E eu te amava tão gentilmente
Que me feriu a frase torta da tua triste insanidade.
O que era doce se acabou, sucumbiu,
perdido em álibis fúteis, gestos reticentes
e sentimentos frágeis, moribundos.
Antes de teres partido, queria ter amado ainda mais gentil, pueril..
Talvez tivesse evitado a porta se abrindo,
o vento seguindo, sacudindo
e derrubando folhas de outono num inverno bem frio.
Vi um eu sozinho. Querendo o sonho, querendo a vida.
E tua condição mais meiga foi a miserável promessa.
De nunca ser, nunca estar, nunca querer...
quem dera nunca mais voltar.
Me deixar livre.
Me deixar amar em outros jardins mais férteis,
mais floridos de cores e manhãs frescas, sem dores.
Eu que nem rimava,
agora peço notas de uma melodia calma,
bem luz, versos harmoniosos, um soneto de Camões.


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