por Marcia David Poeta

21.9.15

Então

Sei que deveria escrever uma poesia.
Porque cabe mais sol nesse sorriso.
Há mais doçuras pra dividir e trocar quando te olho.
Eu sei que deveria dizer a coisa certa.
Mas nem certeza se tem quando o toque incendeia.
Eu sei que deveria haver uma canção no fundo da cena, mas eu só escutei sua mansidão.
O cinema vazio, o filme na tela, e só tinha uma pessoa ao meu lado.
Eu sei que deveria fazer rima, e versos simétricos e bem elaborados.
Mas quem pode com a inesperada calmaria do mar?
O vendaval na areia, e a mudança das dunas?
Não existe forma poética que me diga como será essa espera.
Do abraço que sonhei, do beijo que senti no ar, do emaranhado de borboletas revirando o estômago.
Coloridas, asas fazendo cócegas.
A vida já me encanta agora com sonetos perfeitos.
Quem sou eu pra inventar letra de música?

21.4.15


É que a inspiração se acumula.
E explode de repente.
Como a necessidade de regar a planta.
Chorar sorrindo.
Sorrir da gula.
Comer e engasgar.
Esfregar na cara. 
Todo doce. 
Todo açúcar. 
Todo mel.
Caramelizar a vida empapada de beijo.
Beijar, lamber, gozar.
Viver é doce. 
Só pode dar nisso


Sonhei

Foi uma viagem leve.
Daquelas que só acontecem em sonhos bons.
Caminhadas pro futuro.
Avião sobrevoando a minha cabeça.
Por favor, não comente.
Deixa que a intimidade do absurdo,
a cumplicidade do sonho nos esconda.
Foi um sonho bom.
Acordei sorrindo.
Acordei sonhando.
Acordei.
Bom dia.

28.3.15

Inútil

Eu sou o luxo da dor que deteriora a mente.
Cansativamente demente.
Repensando uniões inúteis.
Camaleão perdido na areia do tempo.
Deserto de tudo.
Feito mágica de sumir o corpo.
Corpo, queda, fútil, vazio, oco.
Tarde demais.