por Marcia David Poeta

2.6.16

Impressões

Foto: Marilena Guimarães
Casa de Claude Monet
Giverny - França
Primavera - 2016
Me dê um riso
Me dê um aviso
Da sua chegada
Um pássaro levado ao vento
Que pousa na minha janela
Me dê um dia da sua Primavera
Me dê um dia de sol e de quimera
Rego as flores
Planto cor no quadro do pintor
Impressões nítidas da sua luz
Planto gosto na língua
De se deixar viver
De se deixar encantar em pétalas e asas
Voar não sai da minha cabeça
Me dê o céu
Me dê nuvens pra desbravar
Apago o breu
Te acendo em mim
Pra gente não se perder no escuro
A noite vai crescer em Lua
Cheia, imensa, amanhecendo em suor e vinho
Me dê um ninho
Eu guardo as asas
E fico bem mais
Em você

9.4.16

Asas ao Sol

Quando te olho sou menina
São as asas que me faltam
É o ar que não respiro
Avalanche de loucura em que me acho
E um pânico pueril do primeiro dia
Do primeiro beijo
Alegria esquisita de querer e não querer
Um temer sem se provar
Semear sem ter certeza do que brota
Quando você chega nada termina
Tudo é começo
Tudo é mar e brisa de primavera
Alto-relevo da sensação que não descrevo
Não me atrevo
Os pés que não se movem
A boca que não cala e se cala sem cessar
Quando você está eu permaneço
Quando você sorri
Esqueço que me faltam asas
E saio a voar

14.2.16

Indo

Tento grudar minha mão nas suas costas.
Num movimento torto de não te deixar ir.
Te vi sair tantas vezes que já não tenho certeza se volta.
Grudo minha mão nas suas costas enquanto você dorme.
E quando acorda, estão marcados em mim.
Dedos, unhas, pele...
Linhas acesas nos meus olhos.
É você de costas...
Ardendo nas minhas mãos.